22 dezembro 2016

‘Espero que façam as perguntas que eu fui impedida de fazer’, diz Janaína Paschoal

Por: Luciana Camargo
Imagem: Reprodução / Redes Sociais
A professora Janaína Paschoal, autora do pedido de impeachment de Dilma, lembra que tratou da ligação de Dilma com a Braskem e a Odebrecht na denúncia, mas essa parte da denúncia foi retirada de discussão no processo de impeachment. A todo momento, ela era impedida de fazer perguntas, sob a alegação de que os fatos teriam ocorrido em 2014 e não estariam em questão. Agora, afirma: “Eu vou ver um a um cair. Esse saque não vai ficar impune!”.
Leia o que diz Janaína Paschoal:

Quando finalizei a redação do pedido de impeachment, pedi a vários profissionais do Direito que fizessem uma leitura crítica.
Dentre esses profissionais, estava o Professor Modesto Carvalhosa, o maior especialista em legislação anticorrupção.

Quando fui ao escritório do Professor Modesto, ele me perguntou se eu havia visto que Dilma convidara empresários da Brasken para jantar.
Com sua experiência, o Professor vinha denunciando, na imprensa, que o discurso anticorrupção do governo era uma falácia.
Eu tinha clara a ligação de Lula e Dilma com a Odebrecht; com a Brasken (que também é Odebrecht), eu não tinha. Professor Modesto alertou.
Eu queria perguntar à ex-presidente sobre suas ligações com Brasken e a Odebrecht, mas essa parte foi extirpada da denúncia. Por quê?
Espero que as autoridades brasileiras façam as perguntas que eu fui impedida de fazer. Talvez as autoridades estrangeiras façam antes.
Lembram?- Dra. Janaina, isso a Sra. não pode falar, Petrobrás não está no processo! E eu dizia: -mas está na minha denúncia!- Mas tiraram.
Lembram? – Dra. Janaina, isso a Sra. não pode falar, 2014 não está no processo! Eu dizia:- mas está na minha denúncia! – Tiraram.
Vocês conseguem entender, agora, por quais motivos tiraram? Têm dimensão do que eu passei, vendo tudo isso, falando e ninguém ouvindo?
Apesar de se falar muito em corrupção, é importante que o Brasil entenda que, na corrupção, o particular paga com o próprio dinheiro!
Na engenharia que foi montada, Odebrecht pagava as propinas com o nosso dinheiro! Isso é bem pior que corrupção. É peculato sofisticado!
Não vou cansar de repetir que Dilma mandou bilhões para os países em que Odebrecht foi contratada. A empresa foi paga com nosso dinheiro.
Além dos bilhões enviados para o exterior, já com o fim de contratar a Odebrecht, a Brasken recebeu milhões do BNDES. Percebem?
O dinheiro com que foram pagas as propinas não era da Odebrecht/Brasken. Era nosso! É crime organizado com competência.
Isso precisa ficar claro. Pelo que leio na imprensa, noto que ainda não entendem esse ponto fundamental. Eles são piores do que parecem!
É revoltante. Agora, talvez, o Brasil comece a entender por que o advogado de Dilma queria limitar os temas discutidos no processo!
Eu vou ver um a um cair. Esse saque não vai ficar impune!

Fonte: Folha Política

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